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VOLANTE À ESQUERDA: será contraprudecente em Moçambique?

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Por Eduardo Sengo, economista

A CTA – Confederação das Associações Económicas de Moçambique apresentou ao Governo uma proposta para o levantamento da proibição da importação de registo de camiões de carga de volante à esquerda. Como sabe-se, o sentido de circulação em Moçambique é à esquerda , por isso o volante é à direita. Será contraprudecente os empresários fazerem essa solicitação ao Governo?
Segundo a Convenção de Viena de 1968, das Nações Unidas que determina as regras básicas de trânsito, cada país tem sua própria legislação no que diz respeito ao tráfego de veículos, motorizados. O mapa abaixo, mostra a distribuição do sentido de circulação no mundo.
Figura 1: Verde: países que adoptam mão-direita; Laranja: países com mão-esquerda

 Paises que adoptam mao-Directa vs Esquerda  

Fonte: http://www.flatout.com.br/dirigindo-na-contra-mao-por-que-alguns-paises-usam-a-mao-inglesa/

Países com sentido de circulação à direita têm volante no lado esquerdo (LHD para left-hand drive) e com sentido de circulação à esquerda têm volante no lado direito (RHD para right-hand drive).
Como sabe-se, o Governo de Moçambique decidiu há alguns anos a proibição da importação de camiões LHD. A medida, de acordo o Ministério dos Transportes e Comunicações, faz parte do cumprimento das regras de trânsito da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) bem como do plano de redução dos acidentes de viação no País. No entanto, o que se tem verificado é que, apenas, Moçambique cumpre com este acordo que contem as regras da SADC. África do Sul, Zimbabwé e Malawi justificam o incumprimento com factores macroeconómicos adversos que não permitem que as empresas locais renovem as suas frotas, passando do LHD para o RHD. Como resultado, assiste-se uma autêntica invasão de camiões LHD daqueles países em Moçambique. Este facto, pode ser testemunhado pelo aumento do défice na rubrica de fretes, parte da balança parcial de serviços. Leia mais sobre sentido de circulação em https://pt.wikipedia.org/wiki/Sentido_de_circula%C3%A7%C3%A3o

O aumento do défice na rubrica de fretes é justificada, em grande parte, pelo incremento de transporte e manuseamento de mercadorias em trânsito para os países do hinterland. Havendo vantagens competitivas das empresas de transportes do hinterland, influenciada, em parte, pelo custo do camião, então as empresas moçambicanas perdem o mercado.

Fonte: Balança de Pagamentos 2014, Edição nº 11, Banco de Moçambique.


Claramente, desde 2010, a rubrica de fretes vem agravando o seu défice, o que significa que Moçambique está a fretar mais serviços de transportes de fora do País do que locais. As empresas locais, desde a introdução da medida, não conseguem renovar as suas frotas, estando em 2014 e 2015 em situação de obsolência de frota, mais um factor para não competirem com as empresas sul-africanas, em particular.
No geral, a compra de LHD tem sido considerada uma opção barata para o desenvolvimento de transportes de carga em mercados emergentes. Limitando o seu acesso, provoca uma regressão total nesse mercado e os resultados são reflectidos em menos criação de emprego, menos contribuição ao PIB e deterioração da balança de pagamentos, particularmente para um País como Moçambique no qual, de um dia para o outro, as necessidades de transportes e manuseamento de carga dispararam.
Assim, os argumentos da classe empresarial que solicita ao Governo o levantamento da medida resumem-se:

  1. Factores económicos: um camião com volante do lado esquerdo custa nos Estados Unidos 25 a 35 mil dólares norte-americanos, contra 75 mil do volante do lado direito que é nos outros países. A razão é simples: os camiões LHD são produzidos em maiores quantidades a nível mundial, constituindo cerca de 85% da produção mundial, o que leva o seu preço a ser mais baixo que o RHD. Os RHD são feitos com mercados preferenciais como Reino Unido e Austrália;
  2. Características da frota moçambicana: O grosso da frota do sector consiste em camiões articulados de 30 toneladas em segunda‑mão. A maior parte de camiões preferidos pela maior parte das empresas de transporte em Moçambique são os camiões americanos Freightliner com o volante à esquerda, que custam até metade das outras opções em segunda mão (como por exemplo, Iveco, Scannia ou Volvo);
  3. O Reino Unido usa LHD e entra nos países da Zona Euro onde usa-se o contrário, entretanto, não há registo de acidentes frequentes devido ao LHD. Mesmo em Moçambique, onde os camiões LHD sul-africanos entram frequentemente não têm gerado situações de acidentes, contrariando a tese de que eles são uma potencial fonte de perigo na estrada.

Portanto, para os empresários a medida de proibição de LDH em Moçambique não trás vantagens e nem é por isso que acidentes irão reduzir. Esta medida só beneficia às empresas dos países vizinhos, com destaque para África do Sul que, na sua óptica, tem vindo a exercer pressão no sentido de se acabar com o uso destes tipos de camiões na região, no sentido deles ganharem o monopólio dos transportes de carga na zona que neste momento está nas mãos dos moçambicanos.

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