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Nyusi toca bons sinos nos EUA

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Recentemente, o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, efectuou uma visita de trabalho aos Estados Unidos de América (EUA). Durante a sua vista, o Presidente de República encontrou-se com líderes de várias instituições de renome e estratégicas para a economia mundial, o que foi apelidado de diplomacia económica. Dos vários encontros, destacam-se os com as instituições de Bretton Woods, nomeadamente Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, Exxon Mobil, Anadarko, General Electric, para além de três fóruns empresariais em Washington, Houston e Nova Iorque, onde o Presidente convidou investidores para Moçambique.
Do encontro com o FMI resultaram entendimentos importantes para a economia de Moçambique. O primeiro resultado é quebra daquilo que parecia ser um impasse no relacionamento entre o nosso pais e aquela instituição: a auditoria internacional independente, no âmbito da divida oculta. Afinal o Governo de Moçambique nunca se opôs à realização de uma auditoria internacional independente. No entanto, a percepção pública internacional era, exactamente, o contrário. Neste contexto, a visita do Presidente da República a Washington foi mais do que oportuna: serviu para remover os mal-entendidos e traçar caminhos para frente. As declarações das partes proferidas no final do encontro, diga-se de passagem, foram bem recebidas pelos mercados, produzindo um impacto positivo, inclusive nas taxas de juro da dívida soberana moçambicana. Aliás, o trabalho do Governo com o FMI, neste âmbito, foi realçado, em Agosto último, pelo senhor Alex Segura, então Representante-Residente do FMI em Moçambique, ao sublinhar a satisfação da sua instituição com algumas medidas que o Governo tinha implementado, desde logo, a revisão do Orçamento, privatização das empresas públicas e postura da política monetária, o que mostra que o trabalho em Washington tinha começado em Maputo e que os mercados estiveram muito atentos a esses movimentos.
Com efeito, a taxa de juro para transação de títulos de dívida soberana moçambicana, com maturidade em Janeiro de 2023, e era de 12,72% em Abril último, segundo a Bloomberg e atingiu os 19,178% em finais de Junho último. Entretanto, em Agosto, esta taxa começou a reduzir, tendo, em Setembro corrente, atingido 15,877%. Gera-se a percepção de que a retoma das relações de cooperação com os parceiros, uma vez ultrapassado o “impasse”, estará mais próximo do que antes.
Perceba-se que um dos aspectos cruciais que fizeram as taxas de juro da divida soberana moçambicana disparar foi a classificação negativa de Moçambique, pelas agências de notação financeira e pelos parceiros internacionais, como consequência da divulgação de informações sobre as dívidas não declaradas e que tornaram evidente a percentagem da dívida pública em relação ao PIB, de 80%, que é considerada muito elevada e insustentável, portanto, com fraca capacidade de pagamento da mesma.
O cenário que se desenha com a remoção do ''impasse'' , as taxas de juro sobre a dívida soberana de Moçambique podem reduzir ainda mais a breve trecho, bastando acelerar o crescimento do PIB para neutralizar o aumento do peso da dívida pública no PIB. Se por exemplo, a tensão política-militar parar em Outubro, a economia de Moçambique tem a possibilidade de explorar na plenitude a sua maior janela de negócios domésticos para os sectores de turismo e transportes e logística, que é a quadra festiva. Para o turismo de lazer, a quadra festiva constitui o momento de pico e se a tensão político-militar parar em Outubro, Moçambique pode entrar nas opções de vários turistas a nível mundial, como possível destino turístico para aquela época. A isto, junta-se o facto de Moçambique ter ganhos de competitividade naqueles sectores, devido a depreciação cambial, porque torna os nossos serviços mais baratos para os estrangeiros. Se esta dinâmica acontecer, teremos outras perspectivas de crescimento, com projecções de médio prazo, ainda melhores, fazendo baixar mais as taxas de juro e melhorando o ambiente de negócios em Moçambique.
Outro aspecto importante a considerar para as perspectivas de Moçambique são os grandes projectos no sector energético. Começando pelo aumento do preço do carvão nos principais mercados de Moçambique, nomeadamente China e Japão, onde o preço do carvão metalúrgico subiu até próximo de 200 dólares por tonelada. Isto faz antever uma dinâmica no subsector energético de carvão, aumentando as receitas de exportação e a sua contribuição no PIB. Refira-se que o recente acordo entre a Vale Moçambique, SA e o Grupo Mitsui torna-se estratégico por assegurar maior penetração no mercado Japonês. Portanto, adicionando as condições logísticas recentemente melhoradas no corridor logístico de Nacala, então a exportação do Carvão pode aumentar significativamente.
Do lado do gás e petróleo, os encontros do Presidente da República com as grandes companhias norte-americanas trazem boas notícias, havendo promessa de arranque dos projectos a breve trecho. Um aspecto que faz torna este cenário credível é o facto de uma das maiores empresas norte-americanas em componentes para este tipo de projectos, a General Electric ter entrado no mercado moçambicano, recentemente, com o objectivo de assegurar os fornecimentos de componentes operacionais para a construção das infraestruturas. Assumindo a expertise desta empresa, não estaria aqui em vão.
Portanto, os resultados desta visita o trabalho do Presidente ao EUA associado às açcões do Governo para restaurar a confiança com os parceiros e aos sinais que vêm dos grandes projectos, é como um verdadeiro toque do sino, anunciando a proximidade de bons ventos.

Bom trabalho Senhor Presidente!


(Por Eduardo Sengo, economista)

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