MUDANÇA NA ESTRATÉGIA DA POLÍTICA MONETÀRIA E MOVIMENTOS NA ESTRUTURA A TERMO DAS TAXAS DE JUROS

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O objectivo deste artigo foi de discutir o efeito da nova estratégia da política monetária sobre os movimentos na estrutura a termo das taxas de juros da economia moçambicana.

Da avaliação feita, verificou-se que a partir de Abril de 2017 o quadro da política monetária sofreu alterações estratégicas que consistiram na mudança da variável operacional da PM, que antes era a base monetária e passou para taxa de juros da política monetária abreviadamente MIMO e no melhoramento dos mecanismos de comunicação entre o banco central e o público.

Com a mudança da estratégia da política monetária verificou-se uma alteração na estrutura a termo das taxas de juros de crédito a economia, bem como dos bilhetes de tesouro. A estrutura a termo das taxas de juros de crédito a economia passou de uma inclinação positiva para negativa, o que mostra que a NEPM acompanhada da redução sucessiva da taxa de juros da política monetária fez com que as expectativas dos agentes económicos em relação as taxas de juros de curto prazo tendam a reduzir, fazendo com que as taxas de juros de curto prazo sejam maiores que as taxas de juros de longo prazo. Alguns autores como  Bullard (2017) consideram que a inversão da curva de rendimento sinaliza a previsão de uma recessão futura, sendo que para o caso Moçambique, esta proposição pode ganhar respaldo por conta do aperto financeiro em que a economia se encontra actualmente e a elevada incerteza associada aos principais indicadores macroeconómicos.

Quanto a estrutura de prazo das taxas de juros dos BT’s, nota-se que com a NEPM verificou-se uma alteração da curva de rendimento de uma inclinação negativa para uma inclinação positiva no segmento compreendido entre o curto e o médio prazo (taxas de juros de 63 dias e 91 dias). Este movimento indica que as taxas de juros de 91 dias são maiores que as taxas de juros de 63 dias, o que mostra que os agentes económicos esperam que as taxas de juros de 63 dias tendem a aumentar. Esta expectativa do mercado em relação às taxas de juro das BTs pode revelar, também, a assunção de risco que os agentes económicos têm em relação ao Estado.

Portanto, como foi possível notar, a curva de rendimento das taxas de juros de crédito a economia e dos BT’s apresentam inclinações diferentes e, com a NEPM a curva de rendimento das taxas de juros de crédito a economia tornou-se negativa, enquanto a curva de rendimento dos BT’s tornou-se positiva (no segmento entre o curto e médio prazo), o que impõe ao Banco de Moçambique sérios desafios na condução da política monetária.

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Por: Eduardo Sengo e Roque Magaia

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