Possível guerra comercial e suas implicações na economia global

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O primeiro semestre de 2018 foi marcado pela eclosão das disputas comerciais envolvendo as principais potências económicas mundiais. Apesar da Administração Norte-americana, ao longo de 2017, ter dado indicações no sentido de impor uma política protecionista comercial, a efetivação começou a partir dos finais de Janeiro de 2018, altura que anunciou a imposição de barreiras na forma de tarifas e quotas para importação de painéis solares e máquinas de lavar com objectivo de proteger o mercado norte-americano da importação daqueles bens a preços mais acessíveis principalmente oriundos da China e Coreia do Sul, que são actualmente os maiores fabricantes daqueles produtos com grande consumo nos Estados Unidos. Esta atitude enquadra-se na política “América Primeiro” com objectivo de redesenhar as regras do comércio internacional, manifestada pela actual Administração Norte-americana aquando da sua tomada de posse no início de 2017.
Para dar mais substâncias às suas intenções, em finais de Fevereiro do ano corrente o Presidente dos EUA anunciou a imposição de novas tarifas na importação do aço e alumínio, em 25% e 10%, respectivamente.
Inicialmente, a justificação para a imposição das medidas protecionistas derivava da persistência de défice comercial entre os EUA para com a China, e a transferência de empregos para a China, ao que se acrescentou questões sobre propriedade intelectual.
Conforme pode-se visualizar na figura abaixo, o défice comercial dos EUA para com a China situou-se em USD 375,6 biliões em 2017 contra 273 biliões em 2010, isto é, num espaço de 7 anos houve um agravamento do défice em mais de USD 10 biliões. Em termos relativos, não se regista grandes diferenças tendo o défice se situado em média em 1,9% do PIB norte-americano.
Em Março, os EUA anunciaram novas imposições tarifárias às importações da China, cujo impacto estima-se acima de USD 50 biliões, ao que seguiu a resposta da China com a imposição de tarifas na importação de bens de origem dos Estados Unidos da América (EUA), como soja, milho, carne, sumo de laranja, tabaco, entre outros, cujo impacto ascendia igualmente a USD 50 biliões. Perante a resposta chinesa, os EUA pronunciaram-se no sentido de agravar ainda mais as tarifas inicialmente propostas aos produtos oriundos da China.
Entretanto, após esses anúncios, no mês de Maio seguiu-se um período de suspense caracterizado por sessões de discussão entre os EUA e a China para abordar as matérias comerciais, que resultaram na suspensão temporária da aplicação das imposições tarifárias das importações chinesas.
Contudo, no princípio do mês de Junho, os EUA reativaram a aplicação das tarifas aduaneiras sobre o alumínio e aço não somente de origem chinesa, mas também oriundos do México, Canadá, e União Europeia, que foi recebido contra imposições desses países.
Com o escalar das disputas comerciais, os 7 países mais industrializados do mundo (G7) reuniram-se para debater a matéria, contudo os resultados foram aquém das expectativas, persistindo a incerteza sobre os próximos desenvolvimentos.
Em relação aos possíveis impactos, importa destacar que o World Economic Outlook (FMI, Abril de 2018) previa um fortalecimento da economia mundial para 2018, no qual estimava-se que a taxa de crescimento se situasse em 3,9% contra 3,8% de 2017, alicerçado dentre outros factores, na recuperação do comércio mundial.
Ora, perante a turbulência que se assiste como o advento de medidas protecionistas é de prever efeitos negativos sobre o comércio internacional, e por consequência da actividade económica global e colocando em risco as perspectivas de crescimento global para este ano que se espera registar a taxa de crescimento mais alta desde 2010.
Sobre este aspecto, a Organização Mundial do Comércio como guardiã do comércio livre, já manifestou a sua preocupação com a situação actual, tendo defendido que uma guerra comercial não seria benéfica para nenhum país.
A persistência de preocupações do risco de uma possível guerra comercial entre as grandes potências económicas mundiais tem igualmente induzido uma grande volatilidade nos mercados financeiros, e há indicações de começar a afectar negativamente as decisões de investimento das empresas. A título de exemplo, a Harley Davidson indicou a mudança de parte da sua produção para fora dos EUA devido ao provável aumento dos encargos aduaneiros.

5 COMENTÁRIOS

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