A CTA participa na primeira edição do Fórum de Investimentos em Transporte e Logística – TRANS-LOG MOZ 2026, que decorre de 4 a 5 de Novembro, em Maputo, cuja abertura foi dirigida pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo. O Fórum está a ser marcado por um forte alinhamento entre o Governo e o sector privado sobre o futuro logístico de Moçambique.
O Governo e o sector privado convergem na defesa de que Moçambique tem condições para consolidar a sua posição como porta de entrada comercial da África Austral, mas que essa ambição exige eficiência operacional, integração regional, previsibilidade regulatória e investimento nos pontos que hoje encarecem o comércio.
No seu discurso de abertura, o Presidente da República defendeu que as infra-estruturas de transporte e logística de Moçambique devem servir não apenas à circulação interna, mas à dinamização das economias dos países vizinhos, da região e do continente.
“Temos consciência de que as nossas infra-estruturas de transporte e logística não são só nossas, mas dos países vizinhos, irmãos e temos que pensar de forma conjunta, integrada e estruturada”, afirmou.
Segundo Chapo, o Fórum de Investimento em Transporte e Logística marca o início de uma reflexão profunda e estratégica sobre o papel agregador de Moçambique na África Austral e a necessidade de transformar a vantagem geográfica em desenvolvimento económico.
O Chefe do Estado anunciou que estão em implementação três projectos estruturantes nos principais corredores, avaliados em pelo menos 7,5 mil milhões de dólares americanos, dos quais mais de 2 mil milhões de dólares para o corredor de Maputo, mais de 1 mil milhão de dólares para Beira e 4,5 mil milhões de dólares para Nacala.
Por seu turno, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlhombe, reconheceu que os corredores de Maputo, Beira e Nacala são activos estratégicos importantes, mas que a maximização do seu potencial depende da capacidade de os integrar, modernizar e gerir de forma eficiente, para não só servirem Moçambique, mas toda a África Austral.
Reiterou o compromisso de reforçar a cooperação regional, estimular a integração dos corredores, ligações transfronteiriças, harmonização de procedimentos e partilha de informação, e destacou o sector privado como fundamental para promover investimentos responsáveis e criar um ambiente de confiança para projectos de longo prazo.
Intervenções fundamentais para competitividade logística
O Vice-Presidente da CTA reforçou que, num contexto de capacidade de financiamento público limitada, é preciso atrair capital privado com projectos viáveis, contratos transparentes e adequada partilha de riscos. “Precisamos de menos projectos anunciados e de mais projectos preparados para financiamento e execução”, afirmou.
Para a CTA, a competitividade logística exige cinco intervenções fundamentais:
1. Integração efectiva dos corredores de Maputo, Beira e Nacala com os mercados do hinterland;
2. Desenvolvimento de portos secos, terminais interiores, armazenagem, cadeias de frio e plataformas de distribuição;
3. Mobilização de capital privado, concessões e PPPs com contratos transparentes e adequada partilha de riscos;
4. Simplificação dos procedimentos fronteiriços, digitalização via Janela Única Logística e aproveitamento da cabotagem;
5. Integração das empresas nacionais nas cadeias de fornecimento, manutenção, engenharia e tecnologia.
O Vice-Presidente da CTA alertou que a competitividade de um corredor não se mede apenas pela capacidade do seu porto, mas pelo custo, tempo e previsibilidade com que a mercadoria chega ao destino final. Defendeu compromissos operacionais entre países da região com metas de redução de tempos de trânsito.
A CTA propôs que esta primeira edição resulte na construção de um Roteiro de Investimento em Transportes e Logística 2026–2030, com carteira de projectos prioritários, identificação de estrangulamentos, compromissos transfronteiriços e mecanismos de acompanhamento.

