AUMENTO DA TAXA DE RESERVAS OBRIGATÓRIAS: BM PODIA TER SIDO MAIS CAUTELOSA PORQUE A MEDIDA PODE PROVOCAR UMA RÁPIDA DEPRECIAÇÃO DO METICAL

662

Na sequência da sessão extraordinária do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique havida no dia 06 de Março corrente, o Banco de Moçambique convocou um encontro com a CTA, representada pelo Pelouro da Política Financeira, para dar um informe sobre as razões que motivaram as decisões tomadas nessa sessão e colher a sensibilidade do sector privado relativamente aos sinais lançados por estas medidas no ambiente empresarial.

Entre as decisões tomadas na referida sessão do CPMO, destaca-se o aumento da taxa de reservas obrigatórias para passivos em moeda externa em 900 pontos base, passando para 36%.

A CTA entende que esta medida pode, no curto prazo, levar a um resultado contrário ao pretendido pelo Banco de Moçambique. Isto é, tendo em conta que o aumento da taxa de reservas obrigatórias em moeda estrageira retira a moeda externa do mercado, criando maior escassez de divisas, poderá haver uma tendência de depreciação cambial sistemática que, com o agravante do efeito das eleições que se aproximam, atinja proporções irreversíveis no médio prazo.

“O nosso principal receio em relação a esta medida é de que, no curto prazo, a moeda nacional deprecie rapidamente e numa dimensão que não se possa reverter, sendo agravada pela tendência de depreciação do Metical face ao Dólar que temos verificado recentemente, bem como a redução das reservas internacionais líquidas, que até o início do mês de Fevereiro, ascendiam a USD 2.878 Milhões, correspondendo a uma redução de USD 35 Milhões face ao fecho do ano de 2018”, referiu Bernardo Cumaio, Presidente do Pelouro da Política Financeira – CTA.

Por outro lado, a CTA entende que um aumento da taxa de reservas obrigatórias em moeda externa em 900 pontos base é demasiado elevado e pode representar um tremendo choque para o sector financeiro que, num período de tempo não muito longo, pode ser repassado para o sector produtivo.

“Tendo em conta as decisões tomadas no Comité de Política Monetária (CPMO) havido no passado mês de Fevereiro, que davam indicações de um ambiente de estabilidade macroeconómica, uma medida drástica desta natureza, adoptada 1 mês depois da sessão anterior, pode constituir um susto para a economia. Por isso, no nosso entendimento, a medida poderia ter sido um pouco mais cautelosa, não pelo resultado que se pretende alcançar, mas pela percepção que esta medida lança para a economia” advertiu, realçando que este aumento poderia ter sido gradual e conjugado com outros instrumentos para evitar que haja uma depreciação cambial de proporções irreversíveis.     

Explicação do Banco de Moçambique

No encontro com a CTA, o Banco de Moçambique explicou que esta decisão foi motivada pelo agravamento das percepções dos riscos externos resultantes da aceleração do crescimento da economia norte americana e pelas tensões comerciais com a China, que, de acordo com as previsões feitas, pode culminar com o fortalecimento do Dólar Americano. Adicionalmente, espera-se que como resultado dos choques no mercado internacional que provêm da volatilidade dos preços das commodities, haja uma redução significativa da entrada de divisas e pressões para uma depreciação do Metical mais acentuada, sem descurar o risco de uma tendência de depreciação cambial do metical resultante do efeito das eleições presidenciais que se avizinham.