Aumento de riscos e incertezas ditam a interrupção da tendência de descida da taxa MIMO

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No contexto internacional, os mercados financeiros foram influenciados pelos seguintes eventos: (i) A Federal Reserve dos EUA reduziu em 0,25 pontos percentuais, isto é, a terceira descida neste ano, as taxas directoras para o intervalo entre 1,5% e 1,75%, num contexto em que o PIB do III Trimestre da maior economia do mundo cresceu em 1,9% contra 1,6% antecipados pelos analistas, impulsionado pelo aumento do consumo privado e despesas públicas; (ii) incerteza associado ao decurso das negociações sobre as disputas comerciais na sequência do cancelamento da reunião do Fórum de Cooperação Económica Asia-Pacifico e da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-25) no Chile em que se esperava a assinatura de um acordo entre os EUA e China; (iii) Christine Lagarde assume a liderança do Banco Central Europeu, num momento em que a Zona Euro se depara com a possibilidade de uma nova recessão económica. Como corolário, as principais praças bolsistas apesar das flutuações fecharam a semana em alta.

Mercadoria Semana passada (USD) Esta semana (USD)
Barril de Petróleo Brent 60.7 60.9
Gás Natural (mmbtu) 2.28 2.60
Alumínio (ton( 1,726.000 1,751.500
Carvão (ton( 44.05 44.55


Na presente semana, os preços das commodities energéticas e metais registaram de forma generalizada aumentos relativamente ao observado na semana passada. O barril do petróleo situou-se em média de USD 60,9, representando uma ligeira valorização de 0,4% face a semana passada, influenciado no sentido ascendente por riscos decorrente do aumento da violência prejudique a produção no Iraque e o encerramento de um importante oleoduto nos EUA após derrame de petróleo, e no sentido descendente devido ao aumento da produção da Arábia Saudita e receios em torno das questões comerciais. Acompanhando a tendência, o gás natural cotou-se em média 2,6 USD/Mmbtu, o alumínio e carvão mineral inverteram a tendência declinante ao fixarem-se em média de 1.751,5 USD/Ton e 44,55 USD/Ton, respectivamente.

Produto Semana passada Esta semana
Trigo (USD/lb( 517.80 509.90
Soja (USD/lb( 933.60 933.35
Milho (USD/lb) 393.700 388.150
Açúcar (USD/lb( 12.40 12.44
Algodão )USD/lb) 64.09 64.85
Arroz c/casca (USD/lb( 12.13 11.96

Os preços dos produtos agrícolas não obstante o comportamento misto, denotam ligeiras variações comparativamente a semana passada. Com efeito, no sentido em alta esteve o açúcar e o algodão, e em baixa o Trigo, a Soja, o Milho e o Arroz. As cotações foram influenciadas pelos avanços e recuos nas negociações comerciais a par da indicação de redução da demanda. Igualmente, para o caso do Milho se ressente da boa produção registada no Brasil e na Argentina. A nível doméstico, a semana foi dominada pela decisão do Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, de manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 12,75%, a taxa da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) em 9,75% e a taxa da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 15,75%. De igual, forma manteve os coeficientes de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 13% e 36%, respectivamente. O Banco de Moçambique justificou a decisão devido aos receios de que o agravamento recente de riscos, principalmente internos decorrente do aumento da instabilidade militar nas zonas norte e centro do País e ocorrência de choque climatéricos possa a médio prazo reverter a tendência actual de inflação baixa e estável. O cenário de manutenções estendeu-se a taxa de juro dos Bilhetes de Tesouro que continuou em 12,7% nesta semana, e a Prime Rate do sistema financeiro moçambicano para o mês de Novembro que se mantém em 18%, mesmo nível do último mês.

Taxas de juro Semana passada Esta semana
Permuta de Liquidez 12.75% 12.75%
Bilhetes de Tesouro (Média) 12.70% 12.70%
Taxa de juro de política monetária MIMO 12.75% 12.75%
Taxa de juro premium Média 18.00% 18.00%

Em relação as janelas de operações, dados desta semana indicam uma redução do volume de operações à taxa Facilidade Permanente de Depósito (FPD) de uma média de 988,31 milhões de MT da semana passada para 594,23 milhões de MT nesta semana. A nível da Janela de Cedência (FPC), nesta semana não há indicação de alguma intervenção do Banco de Moçambique. No que tange ao mercado cambial, apesar do comunicado do CPMO indicar que as reservas internacionais do País se mantêm em níveis confortáveis, o Metical prossegue com a tendência de ligeira depreciação face as principais moedas transacionadas no mercado. Refira-se que nesta semana a cotação face ao Rand foi influenciada pela apreciação negativa da proposta de orçamento e de médio prazo apresentada pelo Ministro das Finanças da Africa do Sul que prevê um aumento de endividamento interno como resultado do plano de restruturação da ESKOM e a expectativa de um rebaixamento do rating do crédito soberano por parte da agência de notação financeira Moodys.

QUATRO MAIORES BANCOS

MoedaBanco com Câmbio Mais
Alto
Banco com Câmbio Mais Baixo
Euro 69.82 BCI 69.69 Barclays
USD 62.77 BCI 62.53 Barclays
ZAR 4.25 Standard Bank 4.23 BIM


Na análise comparada entre os quatro maiores bancos intervenientes do Mercado Cambial Interbancário, ao Barclays coube o registo das cotações mais baixas em relação ao Euro e Dólar americano, e ao Millennium BIM face ao Rand; no sentido contrario, o BCI apresentou as cotações mais altas em relação ao Euro e o Dólar americano, e o Standard Bank foi para o Rand.

TAXA DE CÂMBIO MÉDIA

Banco Comerciais Banco de Moçambique
Semana passada Esta semana Semana passada Esta semana
69.59 69.84 69.52 69.75
62.45 62.71 62.46 62.74
4.26 4.25 4.25 4.25


Por Samo Dique e Vanda Castelo