Banco central mantém uma postura prudente face aos riscos e incertezas conjunturais

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No contexto internacional, os mercados financeiros foram influenciados pelos seguintes acontecimentos (i) A Reserva Federal dos EUA manteve as taxas de juro directoras no intervalo entre 1,5% e1,75%, num cenário que antevê que o crescimento económico dos EUA cresça 2,2% este ano, 2% em 2020 e 1,9% em 2021; mesma postura do Banco Central Europeu que não alterou a taxa de juro de referência da Zona Euro em 0%, a taxa da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 0,25% e a taxa da Facilidade Permanente de Depósito em −0,50%, enquanto que prevê uma expansão económica de 1,2% este ano, 1,1% para 2020, 1,4% em 2021 (ii)  Optimismo face ao acordo entre os Estados Unidos e a China que se reflectirá no adiamento ou anulamento da implementação da nova ronda de tarifas sobre bens chineses, prevista para 15 de Dezembro, e redução para metade as tarifas existentes atualmente sobre as importações chinesas; (iii) redução das incertezas sobre o Brexit na sequência da vitoria eleitoral do Partido Conservador no Reino Unido. Como corolário, apesar das flutuações que se assistiram ao longo da semana, as principais praças bolsistas apresentaram resultados positivos.

MercadoriaSemana passada (USD) Esta semana (USD)
Barril de Petróleo Brent62.564.2
Gás Natural (mmbtu)2.392.28
Alumínio (ton)1,765.2001,761.750
Carvão (ton)45.5545.55

Na presente semana os preços das commodities energéticas e metais mantiveram um comportamento misto. O barril do petróleo que se fixou nesta semana em média de 64,2 USD, representando uma valorização em 2,76% comparativamente a semana passada foi influenciado
pelos progressos na discussão sobre as questões comerciais entre os  EUA e China e as eleições gerais no Reino Unido que reduziram a aversão a risco por parte dos investidores. O Gás natural prosseguiu com a tendência recente declinante ao se fixar em 2,28 USD/Mmbtu nesta semana. Mesma tendência registada pelo Alumínio que se cotou em média de 1.761,750 USD/Ton pressionado pela superprodução a nível mundial, principalmente devido a produção no Brasil, e carvão mineral que se manteve em 45,55 USD/Ton, apesar de dados indicando a redução da procura na China no mês de Novembro último.

ProdutoSemana passadaEsta semana
Trigo (USD/lb)527.25 525.85
Soja (USD/lb)878.65912.30
Milho (USD/lb)379.050377.050
Açúcar (USD/lb)12.9913.45
Algodão (USD/lb)64.8166.09
Arroz c/casca (USD/lb)12.3512.43

Não obstante as ligeiras variações negativas registada nas cotações do Trigo e Milho, os preços dos produtos agrícolas mantiveram a tendência positiva evidenciada na semana passada favorecidos pelos desenvolvimentos positivos a nível das negociações das questões comerciais.

A nível doméstico, nesta semana a excepcão da taxa de juro dos Bilhetes de Tesouro que prosseguiu com tendência de descida ao fixar-se em 12,49%, as restantes taxas de juro de referência não tiveram nenhuma alteração na sequência da decisão do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique, de manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 12,75%, a taxa da Facilidade Permanente de Depósitos /FD) em 9,75 e a taxa  da Facilidade Premente de Cedência em 15,75%, bem como os Coeficientes de Reservas Obrigatórias para Passivos em Moeda Nacional e Estrangeira em 13% e 36%, respectivamente. A decisão prudente de manter a taxa MIMO continua a ser sustentada pela prevalência de elevados riscos e incertezas que, a se materializarem, poderão reverter o perfil actual de inflação baixa. Refira-se que em Novembro a Inflação Acumulado e Média foram de 2,58% e 2,78%, respectivamente.

Taxas de juroSemana passada Esta semana
Permuta de Liquidez12.75%12.75%
Bilhetes de Tesouro (Média)12.52%12.49%
Taxa d juro d política monetária MIMO12.75%12.75%
Prime Rate18.00%18.00%

Em relação as janelas de operações, dados desta semana apontam para uma ténue redução do volume de operações à taxa Facilidade Permanente de Depósito (FPD) de uma média de 698,16 milhões de MT da semana passada para 658,41 milhões de MT nesta semana. Diferentemente da semana passada, nesta não há indicação da intervenção do Banco de Moçambique a nível da Janela de Cedência (FPC).

No que tange ao mercado cambial, o Metical fortaleceu-se ligeiramente face as divisas de referência do mercado, devido a redução da procura por moeda externa que é característico neste período do ano. De igual forma, importa referir o enfraquecimento do dólar americano a nível internacional na sequência dos avanços registados nas matérias comerciais e a redução da incerteza sobre o Brexit.

TAXA DE CÂMBIO
MÉDIA
MoedaBanco
Comerciais
Banco de
Moçambique
Semana passadaEsta semanaSemana passadaEsta semana
Euro70.9470.8970.8970.80
USD64.0263.7364.0463.76
ZAR4.384.354.374.36

Na análise comparada entre os quatro maiores bancos intervenientes do Mercado Cambial Interbancário, apesar de uma certa homogeneidade das cotações praticadas, o Standard Bank registou as cotações mais baixas em relação ao Euro e Dólar americano, enquanto que o Millennium BIM foi face ao Rand. Por sua vez, o ABSA apresentou as cotações mais altas em relação ao Euro e Dólar americano, enquanto que o Standard Bank foi para o Rand.

Quatro Maiores Bancos
MoedaBanco com Câmbio Mais AltoBanco com CâmbioMais Baixo
Euro70.85ABSA70.80Standard Bank
USD63.76ABSA63.71Standard Bank
ZAR4.36Standard Bank4.35BIM