Confederação das Associações Económicas de Moçambique

Certificação, acesso ao financiamento e aos mercados condicionam o desenvolvimento da agroindústria

Problemas ligados a cerificação dos produtos, acesso ao financiamento e aos marcados, foram apontadas como sendo as principais barreiras para o desenvolvimento da agroindústria em Moçambique. Eduardo Sengo, Director Executivo da CTA, que falava na African Business Roundtable, realizada na última Terça-feira em Maputo, destacou a necessidade de se prestar maior atenção na cadeia de valores desde a produção até a transformação e processamento dos produtos.

Eduardo Sengo apontou os casos de Inhambane em que uma empresa processadora da mandioca está a incentivar os pequenos agricultores a aumentarem os níveis de produção. Para ele, a questão de garantia de mercado é essencial para o florescimento da agroindústria.
“Foi interessante ver que na província de Inhambane a produção de mandioca está a aumentar, isto porque há uma empresa que processa e exporta a mandioca, este é o mercado para os pequenos agricultores locais e incentiva a produzir mais”, referiu, realçando que o mesmo está a registar-se ainda em Inhambane com o processamento da fruta e em Nampula com a produção de cana-de-açúcar.
Apontou ainda a necessidade de melhorar as embalagens de modo a conferir maior competitividade dos produtos nacionais. Em muitos casos quem desenvolve a embalagem é a própria indústria transformadora dos produtos.
“Precisamos de políticas que incentivam o surgimento de empresas dedicadas à embalagem, porque se uma indústria processa e ao mesmo tempo produzir embalagem, alguma coisa não vai fazer bem. Ela tem que se especializar, concentrar-se numa determinada actividade”, anotou.
Apontou-se a necessidade de se definir com clareza as necessidades de formação, indicando as áreas chaves e só assim se pode colmatar as deficiências e necessidades do sector.
Outro aspecto importante, são as exigências de qualidade do mercado o que remete a qualidade da semente, das pesticidas e outros insumos usados bem como o processamento do produto.

 

Adopção de políticas e estratégias

O Director de DASP, Nicolau Sululu reconheceu a necessidade de o Governo adoptar políticas consentâneas para melhorar o sector agroindustrial. Referiu que, em 2016, o Executivo aprovou a Politica de Estratégia Industrial para adição de valor. Porém, ainda persistem desafios que precisam de ser atacados, associando ao processo de promoção das Pequenas e Médias Empresas.
“Na Politica de Estratégica Industrial estão claramente identificadas as áreas de intervenção na cadeia de valores e temos estado a fazer esforço a nível das áreas específicas para que haja uma maior intervenção e uma melhor interação das PME´s. O Governo está a fazer uma revisão profunda da Lei de Caju de modo a alavancar a indústria de caju.

 

Pequenos agricultores não reúnem requisitos para acesso ao financiamento

O Director Comercial do BCI, José Notiço, disse que a banca comercial tem disponíveis linhas de financiamento para o sector agrário. No entanto, o que se verifica é que os pequenos agricultores/sector familiar que são aqueles que abastecem as pequenas indústrias transformadoras não estão em condições de aceder a tais financiamentos porque não reúnem os requisitos exigidos pela banca.
Para ele, o mais importante é que haja um sector dedicado a assistir os produtores do sector familiar. “Enquanto não tivermos esta assistência, o agricultor irá a banca dizer que quer dinheiro e o banco vai exigir garantias, que este agricultor não tem. É ainda um sector de grande risco, por isso as políticas devem estar viradas para estas mudanças”, referiu José Notiço.

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