Confederação das Associações Económicas de Moçambique

CTA E BAD BUSCAM SOLUÇÕES CONCRETAS PARA FAZER FACE A ACTUAL CRISE DE ALIMENTOS E CONDIÇOÕES DE CRÉDITO

A CTA manteve hoje, 21 de Junho, um encontro com o Representante Residente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Cesar Abogo, no qual discutiram soluções concretas sobre a situação actual (crise de alimentos, combustíveis e condições de crédito), olhando para o Projecto de Desenvolvimento Integrado Pemba-Lichinga, recentemente lançado pelo BAD.

A CTA destacou a colaboração com o BAD na estruturação e mobilização de financiamento e investidores, dando como exemplo a realização em 2019 da primeira edição da CASP Investment Summit, que foi a primeira iniciativa a nível do continente africano como pipelane do African Investiment Fórum, no qual foram mobilizados e apresentados projectos de investimentos nacionais a instituições de financeiras internacionais. Uma experiência replicada na última CASP em Março deste ano.

Sobre a eminente crise alimentar, a CTA propôs ao BAD que fosse acelerada a implementação do Projecto ZEPA – Zona Especial de Processamento Agro-industrial do Corredor de Desenvolvimento Integrado Pemba-Lichinga pelo potencial agrícola das províncias do Niassa, Cabo Delgado, Zambézia e Nampula para a produção dentre outras culturas, da soja e milho e um enorme potencial para produção de fruta, facto que iria contribuir para a substituição das importações. A produção local e transformação continuam sendo a prioridade para lidar com às restrições nas importações de produtos básicos. Para isso, Moçambique precisa de empresas fortes de processamento de produtos alimentares, que podem trabalhar com as PMEs como âncoras.

Em relação ao acesso a financiamento, na sequência do endurecimento da política monetária, a CTA propôs maior flexibilidade nos critérios de elegibilidade para as micro, pequenas e médias empresas acederem os fundos existentes do BAD. Para a CTA, o apoio do BAD na minimização do impacto negativo do contexto actual nas condições de crédito é importante, apesar de se compreender a política monetária que o País tem seguido. Por isso, a CTA solicitou maior engajamento do BAD na mobilização de fontes alternativas de financiamento. Igualmente, o BAD poderia ajudar o sector privado no acesso ao financiamento com condições favoráveis, através de subsídio às taxas de juro praticada pela banca que actualmente se situa em 20,6% mais um spread.

A expectativa da CTA é que o BAD apoie também na criação de fundos privados para as empresas, sendo que a prioridade passa pela existência de quadro regulatório a nível do Banco Central que apoia na constituição de fundos privados, como alternativa ao financiamento às empresas.

Aludiu-se também ao facto do contexto pós-pandémico, demandar que as empresas se readaptem com vista a continuar com as suas actividades, sendo que a CTA considera imperiosa a transformação digital como factor de competitividade e sustentabilidade dos negócios. Por isso, é preciso se estudar como explorar as janelas de financiamento do BAD para apoiar a digitalização das PMEs em Moçambique. Apontou-se a possibilidade de se firmar acordos com associações empresariais para apoiar no fortalecimento das PMEs, ajudando na capacitação institucional para que Moçambique possa estar melhor posicionado.

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