CTA E BAD DISCUTEM A IMPLEMENTAÇÃO DE ZONAS ESPECIAIS DE PROCESSAMENTO AGROINDUSTRIAL

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A CTA e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) têm vindo a discutir o conceito e a implementação de Zonas Especiais de Processamento Agroindustrial, clusters, que vão juntar, no mesmo espaço, instituições do Governo, Bancos de Desenvolvimento, fundos de infraestrutura e empresas produtoras do sector privado para compartilhar o risco e implementar projectos concretos.

A visão das duas instituições é de que, o desenvolvimento do sector da agricultura em Moçambique, está associado à existência de infraestruturas e serviços de apoio, com acesso ao mercado.

Falando hoje, na abertura do MOZGROW (uma plataforma do agronegócios), o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, referiu que nas Zonas Especiais de Processamento Agroindustrial será relativamente mais fácil de criar as infraestruturas e serviços de apoio, bem como o acesso ao mercado através do processamento local, dado tratar-se de clusters agro-industriais.

No entanto, realçou que, esta iniciativa deve ser complementada por medidas que a CTA tem vindo a advogar, mormente na componente fiscal, a reposição da taxa de IRPC a 10% para as actividades agrícola e pecuária.

Acredita-se que, a presença de vários operadores, atrairia financiamentos mais adequados, pois o tipo de financiamento actual do mercado ainda não é adequado para a agricultura, onde mais de 90% do mesmo, tem períodos de graça do crédito inferiores a 2 meses e com taxas de juro acima de 20%.

Estas condições, segundo elucidou o Presidente da CTA, dificultam a absorção da carteira de crédito total, que passou de cerca de 19% no ano 2000 para apenas 3.6% em 2018, em termos de peso no crédito concedido. 
“Precisamos de um produto com, pelo menos, 1 ano de período de graça, taxa de juro a um digito, que é o nível máximo de retorno do sector, e combinado com assistência técnica”, referiu Agostinho Vuma, salientando que este tipo de produto será difícil de ser oferecido por uma instituição financeira, puramente comercial, sendo necessária a intervenção de instituições de desenvolvimento que apoiem o sector.

Para além da falta de financiamento adequado ao sector, destacou, dentre os vários factores determinantes para o acesso aos mercados, o desenvolvimento e complementaridade das cadeias de valor do agronegócio, o processamento, embalagem e a certificação.