CTA INTEIRA-SE DAS DIFICULDADES DE EMPRESAS EM CABO DELGADO

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A margem da realização do Fórum Regional Norte do Sector Privado, que decorreu no dia 31 de Janeiro, a CTA efectuou visitas a empresas de Cabo Delgado, concretamente Cidade de Pemba, com o fito de se inteirar das dificuldades que estas enfrentam no exercício das suas actividades.

Kauri Resorts

Empreendimento inaugurado em 2013, tendo começado com 14 trabalhadores e hoje conta com 84. Este foi um daqueles projectos que iniciou apostando num turismo de lazer, mas que depois cresceu, impulsionado pela procura crescente resultante dos investimentos na área de Petróleo e Gás. Entretanto, a característica de Cabo Delgado que não permite desenvolver, presentemente, diversificação de produtos turísticos, como turismo de lazer, tem vindo a penalizar este empreendimento. O volume de negócios reduziu em mais de 50%, de 2015 a esta parte, como resultado do arrefecimento das actividades da área de Petróleo e Gás. Isto adiciona-se à depreciação cambial de cerca de 90%, em relação ao Dólar norte-americano, o que significa que, num cenário no qual a empresa não tenha feito ajustamentos de preços, a redução real do volume de negócios foi superior a 70%. Actualmente, 60% da facturaçao deste Resort é na base de eventos e/ou conferências, o que é contraproducente para as actividades de um Resort. Os proprietários comentaram, ainda, sobre a possibilidade de redução de pontos de entrada, argumentando que, com a baixa competitividade do turismo local, esta medida iria matar o turismo em Pemba. Actualmente, o turista para além de gastar muito dinheiro para chegar a Pemba, tem que perder bons dias das suas férias em ligações aéreas, devido à falta de ligações directas.

Fábrica de Cimentos de Cabo Delgado

A Fábrica de Cimentos de Cabo Delgado, localizada em Metuge, é um investimento estimado em 24 milhões de Dólares Americanos, empregando cerca de 100 trabalhadores efectivos.

Esta fábrica tem uma capacidade de 1000 toneladas por dia, mas actualmente não consegue atingir este nível de produção, quedando-se nas 300 ton/dia, portanto, cerca de 30% da capacidade da mesma. Portanto, esta fábrica tem uma ociosidade de 70%, resultante da baixíssima procura no mercado.

A fábrica, actualmente, está a conseguir ganhar o mercado ao cimento Tanzaniano, principal concorrente, devido a competitividade do seu preço.

A fábrica está preocupada com a questão da energia eléctrica, tanto em qualidade bem como no seu custo, tendo este último subido em mais de 45%, de Setembro último para esta parte. Esta empresa solicita que a CTA se engaje na busca de outras fontes de energias, mas competitivas e que contribuam para a qualidade da rede para a indústria.