ESCASSEZ DE DIVISAS AFECTA A IMPORTAÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS PARA O SECTOR INDUSTRIAL

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O sector da indústria transformadora está a registar uma redução dos níveis de produção, devido às dificuldades de importação de matérias-primas derivadas da escassez de divisas no mercado, apesar do Banco de Moçambique ter anunciado uma linha de financiamento de 500 milhões de Dólares americanos destinados a importações, segundo manifestou a CTA, que defende a venda directa no Mercado Monetário Interbancária de modo a assegurar o acesso das empresas às divisas, para fazer face as necessidades de importação.

A redução do nível de actividade produtiva afecta directamente a oferta e, por conseguinte, impacta no aumento do preço dos produtos ao consumidor final.
Falando no Briefing Semanal com a Imprensa, organizado pela CTA para o balanço das medidas de Estado de Emergência no sector empresarial, Seyit Orhan Baydar, Director da Fábrica de Cimento Limak, referiu que, os impactos desta pandemia no sector industrial, considerado o motor para o desenvolvimento da economia nacional, são bastante visíveis e com tendência a se agravar.
Salientou que, apesar da redução dos níveis de produção devido a escassez de divisas no mercado para importação de matérias-primas, o preço de cimento na porta da fábrica não alterou.

A redução dos níveis de produção deve-se, por outro lado, às restrições impostas pelas medidas de Estado de Emergência, como o regime de rotatividade e redução da massa laboral para 1/3.

Na Indústria, o impacto incide não só sobre o sector em si, mas, também, sobre todos os sectores e subsectores subjacentes que integram os diferentes segmentos da cadeia de valor, nomeadamente, a Agricultura, Transportes, Logística e Comércio.

Desde a eclosão desta crise a esta parte, o sector da indústria transformadora registou uma redução do nível de actividade produtiva em mais de 70%, o que resultou na queda de facturação das empresas deste ramo, numa média mensal de 60%, que corresponde a uma perda de receita estimada em cerca de 4 mil milhões de Meticais por mês, com destaque para as indústrias de bebidas não alcoólicas, do açúcar, óleos e sabões, que registam perdas mensais de facturação estimadas entre 40% e 65%.

Face a este cenário, a CTA reitera a necessidade de adopção de medidas urgentes e objectivas para apoiar as empresas do sector industrial que é extremamente importante para o país, tanto sob ponto de vista do nível de renda e emprego que este gera, assim como, sob ponto de vista dos efeitos em cadeia que poderão resultar de uma disrupção significativa no nível de actividade.