HRA ADVOGADOS – MEMBRO DO CEN: Não há dúvida que os próximos dias serão complicados

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Em entrevista a “CTA Newsletter, a sócia gerente da HRA Advogados, Membro da CTA através do Conselho Empresarial Nacional (CEN) não tem dúvida de que os próximos dias serão complicados, a dúvida que tem é quanto tempo durará a crise e forma e o ritmo de recuperação. Fabrícia de Almeida Henriques aponta como uma das principais preocupações das empresas a instabilidade e a falta de conhecimento sobre como reagir, do ponto de vista fiscal, laboral, dos contratos, etc.

Quando e em que contexto surgiu a HRA Advogados?

A HRA Advogados é uma sociedade de advogados independente, fundada em Maputo em 2012 com duas sócias, Fabrícia de Almeida Henriques e Paula Duarte Rocha, que se mantêm até hoje. Foi criada desde o início enquanto membro de uma rede internacional, a Morais Leitão Legal Circle, que inclui sociedades em Portugal, Angola e Macau. Para a HRA, o objectivo sempre foi oferecer serviços jurídicos em Moçambique, por advogados moçambicanos com profundo conhecimento local, mas assentes em padrões e procedimentos internacionais. Concretamente, somos uma sociedade de advogados full service, que presta assessoria em várias áreas e sectores de actividade.

Com quantos trabalhadores a empresa iniciou as operações e com quantos conta actualmente?

Começámos por ser um escritório de pequena dimensão. Hoje, contamos com 12 advogados, em várias categorias profissionais, apoiados por uma pequena estrutura administrativa.

Quais são os principais constrangimentos, particularmente ligados ao vosso sector no contexto da COVID-19?

Da nossa parte, optámos por antecipar as medidas de confinamento e precaução. Passámos ao teletrabalho, assegurando apenas serviços mínimos, muito cedo. Da mesma forma, criámos procedimentos para as viagens e reuniões presenciais, procurando activamente mitigar o risco e a exposição. Obviamente, isto afecta-nos: pela natureza da profissão, a advocacia implica o contacto com o cliente, a proximidade. Por mais colaboração que exista, por mais ferramentas tecnológicas que tenhamos, a relação fica sempre prejudicada. O próprio teletrabalho é muito exigente, por depender de uma grande autonomia e das condições pessoais e familiares de cada um. E depois, existe o impacto económico, e a reconversão da nossa actividade, para dar resposta às necessidades dos clientes, que mudam. Num cenário de crise ainda mais profunda, a confiança dos investidores em novos projetos fica muito prejudicada.

Quais são as medidas que a HRA Advogados adopta para fazer face a pandemia COVID-19?

Temos as ferramentas necessárias para permitir o trabalho remoto, ainda que este seja, naturalmente, limitado pelas restrições das comunicações electrónicas. Ainda assim, e para manter o escritório aberto, criámos um sistema de rotação, mantendo serviços mínimos presenciais. Com o aprofundamento do estado de emergência, parece-nos que, eventualmente, teremos de encerrar fisicamente, passando a totalidade dos serviços para teletrabalho.

Que medidas e soluções recomendaria à CTA com vista a mitigação dos efeitos da COVID-19?

Uma das principais preocupações das empresas é a instabilidade e a falta de conhecimento sobre como reagir, do ponto de vista fiscal, laboral, dos contratos, etc. Numa altura como esta, é preciso saber navegar pela legislação, e isso pode passar pelo envio de newsletters informativas ou realização de eventos online.

Qual é o volume de negócios da empresa? Até que ponto esta pandemia afecta o volume de negócios da HRA Advogados?

As contas das sociedades de advogados não são públicas, pelo que não divulgamos oficialmente o nosso volume de facturação.

Alguma mensagem especial para as empresas moçambicanas, sobretudo as PME´s?

Penso que ninguém duvida de que os próximos tempos vão ser complicados. Há dúvidas, sim, quanto à duração da crise e à forma e ritmo da recuperação. Tem de ser um equilíbrio complicado entre resiliência, para manter o país a funcionar (e para termos uma economia, quando tudo isto passar) e segurança. Somos um país forte, os moçambicanos são conhecidos pela sua flexibilidade para aprender e pela facilidade em encontrar soluções. Também saberemos ultrapassar esta pandemia.