Confederação das Associações Económicas de Moçambique

INDÚSTRIA E TRANSPORTES SÃO OS SECTORES QUE REGISTARAM A MAIOR REDUÇÃO DO ÍNDICE DE ROBUSTEZ EMPRESARIAL NO III TRIMESTRE DE 2021

De acordo com a 5ª edição do relatório do Índice de Robustez Empresarial, os sectores da Indústria e Transportes são os que registaram a maior queda do Índice de Robustez Empresarial no III Trimestre de 2021, tendo reduzido em 4.5 pontos percentuais (de 32,8% para 28.3%) e 3.9 pontos percentuais (de 29.2 para 25.3%), respectivamente. O sector da Hotelaria e Restauração reduziu de 24.6% para 21.9%, o correspondente a uma variação de 2.7 pontos percentuais, enquanto o sector da Agricultura registou uma ligeira queda, passando de 28.9% para 28.5%, o que corresponde a uma de redução de apenas 0.4 pontos percentuais.

 

Indústria

O sector industrial registou uma tendência negativa em termos de desempenho empresarial no III Trimestre de 2021 comparado com o II Trimestre, sendo que o Índice de Robustez Empresarial deste sector reduziu em 4.5 pontos percentuais, de 32,8% para 28.3%. O principal factor que explica a queda do desempenho deste sector está associado aos efeitos da crise de logística que assola a economia mundial desde o início do ano, mas com maior incidência no III Trimestre. Tendo em conta que grande parte das indústrias moçambicanas utilizam matérias-primas importadas, esta crise de logística que tem como implicação o aumento dos custos de transporte e alargamento do tempo de chegada das encomendas, tem criado constrangimentos no processo produtivo das indústrias nacionais. Este quadro associado a tendência de depreciação cambial que se assistiu ao longo do III Trimestre do ano e a tendência de aceleração da inflação, contribuiu para o encarecimento da estrutura de custos de produção das empresas do sector industrial. No caso da indústria de Cervejas, o aumento dos custos de produção poderá ser agravado pela introdução da obrigatoriedade de selagem de Cervejas, estabelecida através do novo regulamento de Selagem de Bebidas Alcoólicas e Tabaco Manufaturado, pelo Diploma Ministerial número 64/2021, de 21 de Julho. Este procedimento interfere no processo produtivo, reduzindo a produtividade média das fábricas, o que acrescido ao custo de aquisição do selo, eleva ainda mais a estrutura de custos das empresas deste sector. Portanto, devido aos factores acima aludidos, nota-se que, no geral, os custos de produção do sector industrial mostraram uma tendência de aumento significativo ao longo do III Trimestre de 2021. Contudo, do lado da receita o sector industrial registou uma redução da facturação devido, essencialmente, ao impacto das medidas restritivas de contenção à propagação da pandemia da COVID-19 que foram endurecidas neste período. Estas medidas, embora não tenham afectado de forma considerável a produção industrial em si, impactaram negativamente sobre o fluxo de actividade do segmento comercial. Isto é, devido ao aperto de algumas restrições tais como redução do tempo de funcionamento dos estabelecimentos comerciais, o volume de vendas e de receitas no sector industrial apresentou uma tendência de redução no III Trimestre quando comparado com o II Trimestre de 2021. O subsector de bebidas alcoólicas foi o que mais se ressentiu deste aperto das restrições, visto que com a redução do horário de funcionamento dos Bottle Stores de 9:00 – 17h00 para 9h00 – 13h (embora nos meados do III Trimestre o limite tenha sido alargado para 15h00), o segmento comercial deste sector registou uma menor dinâmica, que se reflectiu negativamente em toda a cadeia, começando pelos próprios estabelecimentos comerciais e se estendendo para as fábricas, bem como para os pequenos agricultores integrados nessa cadeia de valor.

 

Transportes

O desempenho do sector dos transportes registou uma redução entre o II e o III Trimestre de 2021, sendo que o Índice de Robustez Empresarial deste sector caiu de 29.2 para 25.3%. Esta deterioração do índice de Robustez Empresarial deste sector está associada, em grande parte, à retracção da actividade dos subsectores de transporte rodoviário, (passageiros e carga), e do transporte marítimo – carga contentorizada. No caso de transporte rodoviário de carga, a redução do desempenho empresarial no III Trimestre de 2021 deveu-se aos efeitos da recente crise de logística que assola a economia mundial desde o início do ano, tendo se acentuado ao longo do III Trimestre. Devido aos efeitos desta crise, os operadores do sector de transporte de carga, sobretudo no segmento marítimo – carga contentorizada, registaram e continuam a registar perdas avultadas de facturação devido à indisponibilidade de contentores para fazer face ao volume de transacções que têm vindo a crescer com a reabertura das economias a nível global. No que respeita ao subsector de transporte de passageiros, o principal factor que justifica a redução do desempenho empresarial no III Trimestre face ao II Trimestre de 2021, está associado ao endurecimento das medidas restritivas de contenção à propagação da COVID-19 que implicaram uma redução do fluxo de passageiros de forma geral. Estas restrições contribuíram para a redução do nível de receitas dos operadores deste sector, num contexto em que os custos operacionais tendem a aumentar, devido ao aumento dos salários mínimos e à depreciação cambial que tende a encarecer o custo de importação de peças sobressalentes, embora o preço de combustível tenha se mantido inalterado. O agravamento do horário do recolher obrigatório, passando das 23h00 para 21h00, figurou como a medida que mais influenciou a queda deste sector, tendo contribuído para uma redução do tempo de actividade dos transportadores que geralmente registavam um fluxo considerável de passageiros após a hora estabelecida para o recolher obrigatório (21h).

 

Hotelaria e Restauração

No sector da Hotelaria e Restauração, o índice de robustez empresarial reduziu de 24.6% para 21.9% entre o II e o III Trimestre de 2021, o correspondente a uma variação de 2.7 pontos percentuais. Esta tendência negativa do desempenho empresarial neste sector deveu-se, em grande parte, ao efeito do endurecimento das medidas restritivas de contenção à propagação da 3ª vaga da COVID-19 adoptadas pelo Governo, embora se tenha verificado um ligeiro alívio na parte final do Trimestre. O efeito do endurecimento das medidas restritivas reflectiu-se com maior incidência no subsector da restauração que registou redução dos níveis de facturação em consequência da limitação do horário de funcionamento dos restaurantes, take away e serviço de entrega ao domicílio. No caso do subsector de hotelaria, as restrições a frequência às praias para efeitos de lazer, continuaram afectando o desempenho empresarial deste subsector. Contudo, devido à reabertura das economias verificou-se uma tímida recuperação da facturação deste sector, em uma média de 2%, uma vez que o fluxo de turistas estrangeiros para o país tendia a aumentar. No entanto, a chegada de turistas ao longo do III Trimestre de 2021 foi em grande parte condicionada pela prevalência do inverno que caracterizou este período, e que é geralmente pouco atractivo ao turismo de lazer. Por sua vez, no subsector de agências de viagens verificou-se uma ligeira melhoria, visto que, apesar do endurecimento das medidas restritivas no III Trimestre, o fluxo de viagens apresentou uma tendência de aumento devido à retoma do turismo de negócio associado à realização de eventos corporativos e o impacto da abertura das economias do ocidente, que tende a se consolidar com o avanço do processo de vacinação.

 

Agricultura

No sector da Agricultura, o Índice de Robustez Empresarial nacional registou uma ligeira redução entre o II e III Trimestre de 2021, passando de 28.9% para 28.5%, o que corresponde a uma de redução de penas 0.4 pontos percentuais, o que mostra que praticamente não houve alteração no desempenho das empresas neste sector. Este cenário deve-se ao facto de que os efeitos das medidas restritivas de combate a pandemia da COVID19, que têm um impacto negativo na actividade económica, terem sido de certa forma atenuados pelo avanço do fluxo de comercialização agrícola que iniciou no mês de Abril de 2021 com uma estimativa de geração de cerca de 18 mil milhões MT para os produtores, destacando-se a comercialização de Cereais, Tubérculos e Feijões.

Contudo, é importante notar que o fraco desempenho das empresas deste sector no III Trimestre está, igualmente, associado ao agravamento da crise de logística a nível mundial que tem vindo a encarecer os custos de transporte, e a crise energética que encarece o custo de fertilizantes e outros insumos agrícolas. Em relação à crise de logística, o segmento exportador tem sido o que mais se ressente dos efeitos desta crise, principalmente os produtos cuja campanha de exportação está em curso, tais como Algodão, Camarão e Castanha de Caju.

 

Leia o relatório no link: https://cta.org.mz/wp-content/uploads/2021/11/INDICE-DE-ROBUSTEZ-EMPRESARIAL-5a-Edicao.pdf

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