MEMBRO DO CONSELHO EMPRESARIAL NACIONAL (CEN): Nov Engenharia e Construções, Lda perspectiva uma redução em 30% do volume de negócios devido à COVID-19

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O sector de Construção Civil é um dos mais afectados pelos efeitos da pandemia de COVID-19, com prejuízos estimados em cerca 20% correspondente a aproximadamente 1,197 milhões de Meticais, segundo um estudo da CTA sobre o impacto da COVID-19 em Moçambique, particularmente no sector empresaria. Em entrevista a “CTA Newsletter”, Vitor Manuel Ferreira dos Santos, Administrador da Nov Engenharia e Construções, Lda em Moçambique, membro da CTA através do Conselho Empresarial Nacional (CEN) confirma a drástica situação, perspectiva uma queda de cerca de 30% no volume de negócios da empresa que dirige. “O nosso volume de negócio perspetivado para este ano face à carteira de obras, rondaria os 550 milhões de Meticais, mas acreditamos que, pelo que enfrentamos, irá sofrer um decréscimo, sendo que para já a redução pode rondar os 30%”. Siga os excertos mais interessantes da entrevista.

Quando e em que contexto a surgiu a empresa?

Fruto da expansão do negócio para novos mercados, numa estratégia de internacionalização, a Empresa foi constituída em 1993, tendo sofrido várias alterações e reestruturações, até chegar à marca e denominação social de NOV Engenharia e Construções, Lda. identidade que hoje temos dentro do Grupo NOV, África Subsariana.

Qual é o ramo e o raio de actuação?

A NOV Engenharia e Construções, Lda. exerce a sua atividade há mais de 27 anos no sector da Construção Civil e Obras Públicas, com obras espalhadas por todo o Pais.

Com quantos trabalhadores iniciou as operações e quantos actualmente tem?

O arranque da atividade em Moçambique iniciou-se com 12 trabalhadores; actualmente contamos nos nossos quadros com 186 colaboradores entre expatriados e nacionais, e com perspetiva de aumento face ao número de obras em carteira, assim que permitirem os impedimentos que todos constatamos com a situação da Pandemia e possamos avançar com eles.

Quais são os principais constrangimentos, particularmente ligados ao vosso sector no contexto de Covid-19?

A limitação de circulação, associada ao fecho de fronteiras, a curto e médio prazo irá produzir cortes nas necessidades de abastecimento de obras com materiais e equipamento que, não sendo produzidos em Moçambique, terão que ser importados, o que será sem dúvida um grande constrangimento para as obras que se encontrem ainda a laborar, a não ser que haja protecção a determinados produtos.
Associado a isto, temos a necessidade de proteger os nossos colaboradores, promovendo a rotatividade de equipas para fazer face ao abaixamento de rendimentos, mas que são medidas necessárias, pois irão prolongar a actividade da empresa em obra. São medidas que originarão custos não previstos, mas que temos de encarar como sendo necessárias para minimizar os impactos nas obras de eventuais contágios.


Quais são as medidas e soluções que a vossa empresa adopta face a esta pandemia?

A Nov Engenharia e Construções, Lda. faz parte do Grupo NOV, sujeito à implementação de Estado de Emergência em Portugal que ocorreu mais cedo. O Grupo Nov para a África Subsariana teve de desenvolver imediatamente um Plano de Contingências para cada um dos países onde opera, nomeando a estrutura hierárquica funcional e definindo os meios humanos a chamar perante um caso de contágio com a Covid-19 e quais os procedimentos, bem como as regras de prevenção que a empresa deve aplicar em todas as instalações.
Este Plano de Contingências está, pois, em vigor na empresa ainda antes da declaração do Estado de Emergência nos países africanos e sofrerá as revisões que venham a ser necessárias em função do grau de evolução da epidemia em Moçambique e dos regulamentos nacionais que venham a ser emitidos para serem observados enquanto o Estado de Emergência estiver em vigor.


Que medidas e soluções recomendaria à CTA para mitigar os efeitos?

Nas actuais circunstâncias, todas as empresas estão online e a acompanhar o desenvolvimento da situação. As comunicações institucionais passaram a ser ainda mais fundamentais para uma informação credível e correcta, contrariando as redes sociais que além da possibilidade das fake news podem lançar pânicos que temos de evitar. A nível mundial, várias organizações privadas e associações tomaram como sua a tarefa de manter os seus associados informados, através do envio de comunicações por e-mail, por um lado sobre medidas de prevenção e combate ao vírus, à medida que a comunidade médica vai evoluindo no conhecimento, e por outro com resumos simples das leis e em especial dos regulamentos que os Governos vão emitindo e que sempre carecem de interpretação para a sua actividade, dando as informações concretas que são úteis para as empresas.
Instituições como a CTA, podem seguir também esse caminho, pois cada país tem as suas especificidades e necessidades. A CTA pode ter um papel fundamental no auxílio às empresas suas associadas.

Qual é o volume de negócios da empresa e até que ponto a Covid-19 afectou os negócios?

O nosso volume de negócio perspetivado para este ano face à carteira de obras, rondaria os 550 milhões de meticais, mas acreditamos que pelo que enfrentamos, irá sofrer um decréscimo face ao que perspetivamos, sendo que para já a redução pode rondar os 30%.

Alguma mensagem especial para as empresas moçambicanas, sobretudo as PME´s?

O vírus não escolhe ninguém e atinge todos de igual forma. A diferença estabelece-se apenas na forma como cada um se previne. É fundamental que cada empresa, pequena ou grande, assuma a sua responsabilidade na adopção e divulgação das medidas de protecção e mitigação, mas também promovendo acções de formação a todos os seus, explicando do que se trata, como se devem proteger a si mesmos e aos outros incluindo as suas familiares e como devem agir quando sentirem os sintomas.
Elaborar um Plano de Contingência, onde se identificam muito bem os riscos e os impactos que cada uma corre face à sua própria actividade e como irão agir face a cada ocorrência, torna-se num instrumento muito útil quando o vírus atingir.
A mensagem é, sem dúvida, de esperança, pois se cada um de nós fizer a sua parte e atempadamente, ajudaremos a salvar vidas de todos.