Missão relança cooperação empresarial entre Moçambique e Rússia

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Cerca de 50 empresas moçambicanas visitaram a Rússia de 19 a 22 de Agosto corrente, numa Missão Empresarial, que tinha por objectivo a busca de parcerias e oportunidades de negócios e de investimentos. O Presidente da CTA, Agostinho Vuma, que chefiou a delegação, que integrou empresários de diversos sectores, disse que, apesar do registo de uma dinâmica positiva no comércio entre os dois países, existe um potencial de crescimento e diversificação da estrutura do comércio entre Moçambique e a Rússia que não está a ser devidamente aproveitado. Esta Missão serviu para relançar a cooperação empresarial entre os dois países.

Segundo dados da Embaixada da Federação Russa em Moçambique, em 2018, o comércio bilateral entre Moçambique e a Rússia aumentou 25% em relação ao ano anterior, para quase US$ 115 milhões e no primeiro trimestre deste ano, o comércio duplicou, chegando a US$ 24,3 milhões, contra US$ 11,2 milhões de igual período do ano passado.
Entretanto, olhando para as potencialidades existentes, o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, considera que existirem condições favoráveis para um incremento significativo de investimentos e trocas comerciais que resultem em benefícios mútuos.
A título de exemplo, referiu-se ao lançamento, em Julho passado, do projecto de exploração de areias pesadas na província da Zambézia pela empresa russa Tazetta Resources, com um investimento que chegará a 100 milhões de dólares, dos quais 5 milhões vão para projectos sociais.
“Queremos que esta iniciativa da Tazetta Resources sirva de estímulo para a compreensão sobre o ambiente favorável de investimentos que Moçambique oferece”, sublinhou Agostinho Vuma, falando no Fórum de Negócios Rússia-Moçambique, havido na última quarta-feira, em Moscovo.
Um dos aspecto que considerou fundamental, e não deixou de fazer referência, é o intercâmbio necessário no sector de petróleo e gás, no que tange aos benefícios dos países produtores.
“É de nosso interesse abordar as questões que têm a ver com a endogeneização da economia, em observância à incorporação de factores de produção local, como capital, matéria-prima e mão-de-obra”, referiu, realçando que os resultados positivos de Moçambique anunciados nos vários rankings internacionais são um outro sinal claro, dentre vários, de implementação de reformas tendentes à melhoria do ambiente de negócios.
“Como sector privado moçambicano, sentimo-nos encorajados pelos resultados deste processo de reformas liderado ao mais alto nível pelo Chefe do Estado, e que tem resultado em condições cada dia mais favoráveis para o investimento, quer nacional, quer estrangeiro”, concluiu.

O que os moçambicanos procuravam na Rússia?

Concretamente, os empresários moçambicanos procuravam, na Rússia, oportunidades nas áreas diversas, com destaque para aquisição de instrumentos e produtos financeiros; equipamentos industriais; tecnologia e equipamentos médicos; representação de marcas e produtos; parcerias para a exploração de recursos minerais; parcerias para investir em agro-processamento e energias renováveis; sistemas de segurança; e logística da indústria do petróleo e gás.

GAZPROMBANK vai financiar ENH

Além de participar no Fórum de Negócios Rússia – Moçambique, a delegação manteve vários encontros com empresários russos e visitou algumas unidades económicas, no quadro de atracção de investimentos e da internacionalização de empresas, marcas e produtos moçambicanos.
Entre as empresas visitadas, destaca-se a GAZPROMBANK, para a diversificação do sector financeiro e atracção de linhas de financiamento e de seguros. A GAZPROMBANK disponibilizou-se a financiar a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH); a INCOTEX, uma empresa de fabrico de equipamento electrónico, de segurança e de protecção contra incêndios; a RUSSIAN EXPORT CENTER, muito focada à agricultura virada ao agroprocessamento, também aos serviços financeiros; o INSTITUTE HYDROPROJECT e a ROSFNET.