Confederação das Associações Económicas de Moçambique

NO II TRIMESTRE DE 2021: Agronegócio, Hotelaria e Restauração, Transportes e Indústria são os sectores que registaram melhor recuperação

Os sectores do Agronegócio, Hotelaria e Restauração, Transportes e Indústria são os que apresentaram melhorias no seu desempenho no II Trimestres de 2021, segundo o relatório do Índice de Robustez Empresarial (IRE) apresentado recentemente pela CTA.

Agronegócio

De acordo com o relatório da CTA, o índice de Robustez Empresarial do sector do Agronegócio passou de 0.32 no I Trimestre para 0.36 no II Trimestre, uma melhoria justificada, em parte, pela característica sazonal do II Trimestre do ano, que é marcado por uma maior dinâmica em termos de actividade comercial quando comparado com o I Trimestre.
Ao nível do sector familiar e semi-comercial, esta melhoria deveu, essencialmente, ao início da campanha de comercialização agrícola 2020/2021, lançada nos meados do mês de Abril de 2021, com uma estimativa de geração de cerca de 18 mil milhões de meticais para os produtores, sendo que o destaque vai para a comercialização de Cereais, Tubérculos e Feijões.
Ao nível do sector exportador, assistiu-se, igualmente, uma tendência de melhoria no II Trimestre de 2021 quando comparado com o I Trimestre devido, essencialmente, ao facto de que, sazonalmente, no II Trimestre do ano (concretamente nos meses de Maio e Junho) inicia a temporada de exportação da maior parte de culturas de rendimento, tais como Algodão, Castanha de Caju, entre outras, fazendo com que neste período as exportações destas culturas tendam a aumentar e, consequentemente, o fluxo de receitas seja maior quando comparado com o I Trimestre.
Ainda no sector exportador, o subsector de pescas registou, igualmente, uma tendência de melhoria em termos de desempenho empresarial no II Trimestre de 2021 em comparação com o I Trimestre devido, essencialmente, ao efeito sazonal, visto que as exportações de camarão e outros diversos pescados inicia no mês de Abril. No II
Trimestre de 2021, este factor foi reforçado pelo facto de algumas variedades (ex: Crustáceos de profundidade), cuja campanha inicia, normalmente no mês de Janeiro, terem registado um atraso, tendo arrancado no mês de Março e Abril devido a constrangimentos relacionados aos custos de licenciamento e contratação de tripulantes estrangeiros.

Hotelaria e Restauração

No sector da Hotelaria e Restauração, o IRE subiu ligeiramente de 0,27 para 0.28 entre o I e o II Trimestre de 2021, o correspondente a uma variação de 1pp. Esta tendência de tímida melhoria do desempenho empresarial neste sector deveu-se, em grande parte, ao efeito do ligeiro alívio das medidas restritivas de contenção da propagação da COVID-19 adoptadas pelo Governo a partir do mês de Fevereiro.
O efeito do alívio das medidas restritivas reflectiu-se com maior incidência no subsector da restauração que registou uma tímida recuperação dos níveis de facturação em consequência do alargamento do horário de funcionamento dos restaurantes, take away e serviço de entrega ao domicílio, passando das 6h00 – 20h00 para 6h00 – 21h00.
No caso do subsector de hotelaria, apesar da autorização de abertura de piscinas públicas e de frequência às praias para efeitos de lazer, não se verificou uma melhoria notável no desempenho empresarial devido, essencialmente, ao facto de que o alívio destas restrições ocorreu numa altura em que iniciava o período do inverno, que geralmente é pouco atractivo ao turismo de lazer. Por esta razão, neste subsector o desempenho empresarial não registou qualquer alteração entre o I e o II Trimestre de 2021, sendo que a taxa de ocupação dos hotéis manteve-se no intervalo compreendido entre 0% e 15%, estando consideravelmente aquém do nível necessário para assegurar o funcionamento dos estabelecimentos hoteleiros que se situa no intervalo compreendido entre 50% e 75%.
O mesmo cenário verifica-se no caso das agências de viagem que continuam com baixo desempenho e não registaram mudanças assinaláveis entre o I e o II Trimestre de 2021, visto que o número de viagens continua bastante reduzido devido à prevalência da incerteza em relação a evolução da crise sanitária a nível mundial e a consolidação da tendência de realização de eventos internacionais e encontros de negócios por via de plataformas digitais, sem descurar o baixo apetite para a realização de turismo de lazer.

Transportes

O desempenho do sector de transportes registou uma melhoria entre o I e o II Trimestre, sendo que o ÍRE subiu de 0.46 para 0.49. Esta melhoria do desempenho esteve associada à recuperação da actividade dos subsectores de transporte rodoviário (passageiros e carga), e do transporte marítimo.
No caso de transporte rodoviário de carga, a melhoria do desempenho empresarial no II Trimestre de 2021 deveu-se aos efeitos sazonais e à melhoria da dinâmica da economia sul-africana (principal parceiro comercial de Moçambique). Quanto aos efeitos sazonais, destaca-se o facto do II Trimestre do ano ser geralmente caracterizado pelo início da campanha de comercialização agrícola de Cereais, Tubérculos e Feijões, que faz com que a procura pelos serviços de transporte neste sector aumente quando comparado com o I Trimestre, que é o período caracterizado por fraca actividade comercial no sector agrícola.
Relativamente ao efeito resultante da melhoria da dinâmica da economia sul-africana, constatou-se que devido ao alívio das medidas restritivas decretadas pelo Governo da África do Sul, ao longo do II Trimestre de 2021, verificou-se uma tendência de aumento do fluxo de transporte de carga internacional que contribuiu consideravelmente para a recuperação da facturação das empresas deste subsector.
Este efeito reflectiu-se não somente no sector dos transportes mas, também, em toda cadeia logística. (Nota: cerca de 70% da carga internacional de Moçambique é transportada de ou para a África do Sul).
No que respeita ao subsector de transporte de passageiros, o principal factor que justifica a melhoria do desempenho empresarial no II Trimestre face ao I Trimestre de 2021, está associado ao alívio das medidas restritivas de contenção da propagação da COVID-19 que implicaram uma ligeira expansão do fluxo de passageiros de forma geral.
Este alívio contribuiu positivamente para o aumento do nível de receitas dos operadores deste sector, num contexto em que os custos operacionais permaneciam os mesmos, nomeadamente, o preço de combustível e das peças e sobressalentes. O alargamento do horário do recolher obrigatório, passando das 21h00 para 23h00, figurou como a medida que mais influenciou a recuperação deste sector, tendo contribuído para um ligeiro aumento do tempo de actividade dos transportadores que geralmente registavam um fluxo considerável de passageiros após a hora anteriormente estabelecida para o recolher obrigatório (21h00).

Indústria

O sector industrial registou, igualmente, uma ligeira melhoria em termos de desempenho empresarial no II Trimestre de 2021 comparado com o I Trimestre, sendo que o IRE deste sector aumentou em 3pp, de 0,48 para 0.51. O principal factor que explica a melhoria do desempenho deste sector está associado ao alívio das medidas restritivas de contenção da propagação da pandemia da COVID-19. Estas medidas, embora não tenham afectado de forma considerável a produção industrial em si, impactaram positivamente sobre o fluxo de actividade do segmento comercial. Isto é, devido ao alívio de algumas restrições, tais como o alargamento do funcionamento dos estabelecimentos comerciais, associada à reabertura de alguns estabelecimentos que haviam sido encerrados (Ginásios, Museus, Galerias, etc), o volume de vendas e de receitas no sector industrial aumentou ligeiramente no II Trimestre quando comparado com o I Trimestre de 2021.
O subsector de bebidas alcoólicas foi o que mais se beneficiou deste alívio de restrições, visto que com o alargamento do horário de funcionamento dos Bottle Stores de 9:00 – 13h00 para 9h00 – 17h (nos finais do mês de Junho o limite foi reduzido para 15h00), o segmento comercial deste sector registou uma maior dinâmica que se reflectiu positivamente em toda a cadeia, começando pelos próprios estabelecimentos comerciais e se estendendo para as fábricas, bem como para os pequenos agricultores integrados nessa cadeia de valor.

 

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