Reflexão em torno do desempenho do Índice de Competitividade do Sector do Turismo em Moçambique

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Numa base bienal, o Fórum Económico Mundial faz o relatório que indica o índice de competitividade do sector do turismo de 140 economias, da qual Moçambique faz parte. O índice encontra-se subdividido em três grandes áreas, nomeadamente, o quadro regulatório (Travel e Tourism Regulatory Framework), as infraestruturas e o ambiente de negócios (Travel e Tourism Business Environment e Infraestructure) e, por fim, os atrativos naturais, culturais e recursos humanos (Travel e Tourism Human, Cultural e Natural Resources).

Nesta perspectiva, o presente artigo faz uma análise do desempenho do sector do turismo em Moçambique mostrando a evolução e o benchmark com outras economias, olhando especificamente para variáveis consideradas vitais para o desenvolvimento do sector.

Olhando para as características do turismo em Moçambique, nota-se a maior prática do turismo dos segmentos lazer e de negócios, sendo este último mais praticado na cidade de Maputo pela natureza de infraestruturas que exige. Embora com menor frequência, também tem-se notado alguns turistas em algumas zonas do país de segmentos do turismo religioso e cultural. Trata-se dum sector que vem registando um crescimento de número de estâncias hoteleiras, embora não exista uma metodologia adequada que permite recolher estatísticas que refletem o desempenho real do sector. No que diz ao desempenho do sector e na procura dos serviços turísticos, os dados do INE mostram uma evolução no crescimento das receitas de alojamento e restauração e uma maior procura deste tipo de serviços no segundo semestre, conforme pode se verificar pelos gráficos 1 e 2, respectivamente.

Fazendo uma análise global, olhando para os últimos três relatórios do Fórum Económico Mundial, Moçambique apresentou uma flutuação na evolução deste índice, sendo que a posição mais alta foi verificada em 2017 quando o país encontrava-se na posição 122, tendo apresentado uma queda de cinco posições no último relatório (2019).

O gráfico mostra Maurícias como sendo o país bem posicionado na região com um desempenho positivo na classificação global do índice, à semelhança do Lesotho que também tem registado uma melhoria acentuada nos últimos três relatórios do WEF. O caso extremo é registado na República Sul-africana, que apresenta, desde 2015, uma queda acentuada em torno de cinco posições a cada ano.

Nesta perspetiva, olhando para os scores indicadores, conforme o último relatório, temos a competitividade em termos de preço como melhor indicador, seguido de safety & securtiy, ambiente de negócios e abertura internacional. Destacam-se no conjunto dos factores que impulsionaram na melhoria do último indicador, o aumento do número de companhias aéreas a operarem no território nacional e a introdução, em 2017, do Visto de Fronteira que tem facilitado o fluxo de entrada e saída de pessoas com fins turísticos.

A competitividade, em termos de preço, vem mostrando uma evolução significativa justificada pela pouca variação do preço no ramo hoteleiro nos últimos anos, embora se verifique uma redução na paridade de poder. Pelo contrário, a classificação do ambiente de negócios neste sector vem registando uma redução causada em grande parte pelo decréscimo no fluxo do Investimento Directo Estrangeiro destinado ao sector, conforme os dados dos relatórios da UNCTAD – World Investment Report 2016-2019.

Outros indicadores críticos que influenciam em grande medida o sector, estão ligados a infraestruturas de comunicação, e os relatórios mostram que o país tem registado poucos avanços neste sentido. Este facto, também pode ser verificado pelo gráfico 4 que, tanto as infraestruturas de transporte terrestres e aéreas apresentam uma posição não superior a 2, considerando que a posição 1 indica a pior classificação.  

Posto isto, pode afirmar-se que, o sector do turismo, embora esteja a registar um crescimento em termos de receitas arrecadadas, as estatísticas indicam que este ainda se encontra longe de desempenhar o papel como uma das áreas consideradas prioritárias para diversificação da economia. Este facto também é justificado pela fraca procura deste tipo de serviço durante a maior parte do ano, sendo o período de pico registado no final do ano e em épocas como a páscoa.  Ao mesmo tempo, fazendo um benchmark com outras economias da região, usando o índice de competitividade, nota-se que o mesmo tem registado uma flutuação no ranking global, estando abaixo de países como África do Sul, Botswana e Maurícias. No conjunto dos indicadores, identificam como críticos a curto prazo, a melhoria do ambiente de negócios e a implementação de medidas com vista a melhorar o desempenho do indicador “abertura internacional”.

Nesta perspectiva, sugere-se como medidas de curto prazo, com vista a melhorar o desempenho do sector, a intensificação de campanhas de promoção de consumo de serviços turísticos por parte do INATUR, tendo como foco as instituição do nível médio e do ensino superior, e a oferta de pacotes turísticos diferenciados por parte do operadores deste sector como forma de reduzir o gap existente entre as épocas de alta e baixa procura e com isto aumentar o volume de receitas. A médio prazo, sugere-se a aprovação e implementação da plataforma do visto online para os turistas, como forma de simplificar os procedimentos relacionados a obtenção de visa. Ao mesmo tempo, é necessário, a longo prazo, a melhoria de infraestruturas de comunicação, com maior enfoque no transporte rodoviário, terrestre e aéreo.  

Por José Ngale

Assistente da Unidade de Promoção e Coordenação de Reformas – CTA