Reflexão sobre Factores Imprescindiveis para o Desenvolvimento do Turismo de Negócios em Moçambique

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O segmento da oferta turística denominado Turismo de Negócios & Eventos configurou-se ao longo do tempo com o aprimoramento dos meios de transporte e de comunicação, entre outros fatores, que facilitaram e estimularam a movimentação turística mundial e, de modo especial, os deslocamentos para fins de conhecer, trocar informações e gerar negócios.
No nosso país, o turismo foi definido pelo Governo como sendo a quarta área prioritária para a diversificação da economia do país e associado a isto, a mesma possui um potencial rico para se tornar um destino turístico de nível regional e internacional, cujo seus efeitos multiplicadores se propagam desde a geração da renda, criação de postos de trabalho até a entrada de divisas (melhoria da BoP).
O Boom dos recursos naturais e a entrada dos megaprojectos são considerados em qualquer economia como factores essenciais para o desenvolvimento do turismo no geral, em particular para o segmento do turismo de negócios. Moçambique é um dos países cujo esse cenário já é uma realidade e uma questão desde a descoberta e o início da sua exploração ainda é pertinente: até que ponto o país está capitalizar os ganhos que daí advém e que acções concretas foram ou estão a ser tomadas durante esse período? Para desenvolver o segmento do turismo de negócio exige em si um conjunto de premissas incontornáveis, desde a necessidade de existência duma rede de infra-estruturas como as de transporte, comunicação, alojamento e restauração além de contar as potencialidades turísticas que cada destino oferece associado a factores catalisadores para atrair cada vez mais os turistas desse segmento.
Olhando para o nosso país, este detém ao longo da sua costa, um grande potencial turístico e ao mesmo tempo, uma gama de variedades de recursos naturais. Olhando para o conjunto de premissas acima elencados, embora não exista até então estatísticas que confirmam tal facto, pelo menos a nível de infra-estruturas pode se afirmar que desde os anos 2000 com inicio da fundição do Alumínio por parte da Mozal na Província de Maputo, 2003 com a exploração do gás de Pande pela Sasol na Província de Inhambane e recentemente em 2012 com a exploração de Carvão de Moatize pela Vale na Província de Tete, o expectável era que desde o inicio tivéssemos infra-estruturas que pudessem dar conta a potencial demanda pelos serviços turísticos uma vez que já se previa haveria um fluxo nesse sentido.
No entanto, com a excepção de Maputo que já detém desde período da independência infra-estruturas básicas para acolher turistas deste segmento, o caso da Província de Inhambane e Tete que até o momento estão com mais de 5 anos a exploração, o numero de estancias hoteleiras e de restauração, até mesmo centros de conferencias ainda encontra-se abaixo (ou mesmo inexistentes) para responder a demanda dado que algumas dessas multinacionais, senão todas, estão a construir alojamentos para albergar os próprios trabalhadores (cuja maioria é proveniente do exterior). A titulo de exemplo, a pouco tempo foi aprovada a decisão final de investimento para explorar o gás natural liquefeito na bacia do Rovuma o que constitui mais uma oportunidade para oferecer serviços de alojamento, salas para realizar conferencias e ou reniões corporativos.
As estatísticas do Internacional Congress and Convention Association (ICCA, 2018) mostram que apesar de nosso país não possuir DMO, ainda encontra se no top 20 em Africa no Ranking das reuniões realizadas no ambito de turismo de negocios e na posição 110 no Ranking Mundial juntamente com paises como a Belarus, Armania e Albania.

Tabela 1. Posição de Moçambique segundo as estatisticas do ICCA

Indicator Rank #Meetings/Country with same rank
World Ranking: number of meeting per country 110 Belarus, Moldova Rep., Monaco, Montenegro, Albania & Armania
World Ranking: number of participants per country Less than 10.000
Africa Ranking: number of meeting per country 18 5
Africa Ranking: number of meeting per city 20 5

Fonte: ICCA (2018), todos meetings realizados na Cidade de Maputo

Em termos de perfil do turista, as estatisticas mostram segundo os criterios abaixo tratar-se de individuos com um percentual:
Faixa etária:
– 27% têm entre 25 e 34 anos;
– 35,44% têm entre 35 e 44 anos; e
– 23,2% têm entre 45 e 54 anos.
Grau de formação escolar: cerca de 96% dos participantes possuem nível de formação superior.
Ocupação principal: 35,6% são empregados do setor privado.
Tipo de Hospedagem: 97,2% hospedaram-se em hotéis.
Quanto as actividades realizadas, os turistas que se enquadram no turismo de negocios efectuam suas viagens com intuito de participar em workshops, seminarios, ou para participar em reuniõs corporativos.
Para Moçambique desenvolver este segmento é imprescindível em primeiro lugar a provisão de infra-estruturas básicas de forma descentralizada (em todas regiões do país/destinos turisticos prioritários) para permitir maior competição dos destinos turísticos, primeiro a nível a nacional e a posterior a nível internacional. Ademais, criadas as condições/infra-estruturas é necessário a constituição dum Bureau de Convenções & Visitas visto que, estes desempenham um papel estratégico por agregar empresas e associações das mais diversas áreas do turismo e setores afins. Dado que a sua missão é o desenvolvimento socioeconômico do destino por meio do aumento do fluxo turístico e da captação de eventos, estes representam o destino como um todo, não se atendo apenas a algumas empresas turísticas ou atividades relacionadas à organização.
A sua importância no desenvolvimento do segmento revela-se por permitir a atracção e a maior permanência dos turistas no destino, assim como a sua satisfação com os produtos e serviços utilizados durante a estada. Ao mesmo tempo, estes possuem informações actualizadas sobre a estrutura da cidade e da região para o segmento, os atrativos turísticos, as potencialidades e os diferenciais do destino e também sobre os mercados efectivos e potenciais.
Como complementar e não menos importante, há necessidade de estatísticas actualizadas e com indicadores que vão permitir a todos stakeholders tomarem melhores decisões tendo em conta a realidade conjuntural do país, além de dissiminar a nivel dos operadores turisticos e de todos os stakeholders as melhores praticas no atendimento ao turista como forma a vender cada vez mais a imagem do país além fronteiras.

Por José Ngale