Sector Privado confiante na materialização dos projectos de LNG

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A despeito do adiamento da decisão final de investimento da ExxonMobil no Projecto do Complexo Mamba da Área 4 Onshore e a suspensão temporária dos trabalhos iniciais relacionados com a dragagem, instalação do acampamento e o reassentamento na Área 1 da Bacia do Rovuma explorado pela TOTAL, o sector privado moçambicano mostra-se confiante na materialização dos projectos e contribuirão para colocar Moçambique como um dos principais players na produção do petróleo e gás a nível mundial.

A queda na procura por petróleo a nível internacional devido a paralisação das economias provocada pela pandemia da COVID-19 gerou um excesso de oferta o que precipitou a queda dos preços de petróleo (crude) e derivados. Com efeito, algumas multinacionais ligadas ao sector do Oil & Gas fizeram a restruturação dos planos de investimentos e operações.
A Exxon Mobil decidiu por um corte de 30% nas despesas de capital e 15% nas despesas operacionais para este ano, tendo na sequência, adiado para o início do próximo ano o anúncio da decisão final de investimento do Projecto do Complexo Mamba da Área 4 Onshore que inicialmente estava previsto para Abril deste ano. Para o sector privado, o adiamento da decisão final de investimento da ExxonMobil poderá, certamente, resultar num menor nível de investimento directo estrangeiro para este ano e terá implicações no início da implementação do projecto Rovuma LNG (avaliado em 30 bilhões de dólares) e do início da exportação do gás natural liquefeito projectado para 2025.

Num outro prisma, este adiantamento significa, em sentido lato, que as oportunidades para o sector privado nacional relacionadas com este projecto estão adiadas. Todavia, atendendo as informações do operador bem como do Governo, o empresariado nacional está confiante que o projecto será materializado.

Entre os investimentos mais afectados no sector de Oil & Gas, destaca-se o projecto liderado pela TOTAL, na Área 1 da Bacia do Rovuma, avaliado em USD 26 mil milhões, que suspendeu temporariamente os trabalhos iniciais relacionados com a dragagem, instalação do acampamento e o reassentamento.
A ExxonMobil, para além de adiar o anúncio da decisão final do investimento, projecta um corte de 30% nos seus custos a nível mundial devido a queda do preço de petróleo e aos impactos da Covid-19.
Em relação aos projectos liderados pela ENI, o Projecto Offshore da Área 4 (Joint venture ENI e MRV), cujo investimento é de cerca de USD 8 milhões, prossegue com as actividades normalmente, enquanto o Projecto Coral Sul da Plataforma Flutuante de Liquefação de Gás (FLNG), com um valor de investimento de cerca de USD 7 milhões, poderá atrasar 2/3 meses, ainda assim mantém-se a perspectiva do início da exploração do gás em 2022.