Um olhar sobre o Subsector do Caju em Moçambique

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De acordo com dados do Instituto de Fomento do Caju (Setembro, 2019) o sector do caju é preponderante para o desenvolvimento económico de Moçambique na medida em que é fonte de rendimento directa ou indirectamente para 1,4 milhões de famílias rurais.

A produção do Caju regista um crescimento assinalável nas últimas 5 campanhas passando de 81.240 ton em 2014/5 para 140.000 ton em 2018/19. Contudo, este nível ainda está abaixo do volume máximo que o País registou de cerca de 213.400 ton em 1974, altura em que o País era o maior processador e exportador de caju a nível mundial.

Fonte: INCAJU, Setembro 2019

Portanto no espaço de 5 campanhas, a produção aumentou em cerca de 72,3%, o que perfaze um aumento médio anual de 14,5%.

Contribui para esse aumento da produção as ações levadas a cabo na pulverização de cajueiros que envolveu cerca de 6.000 provedores de serviços, oque também influenciou para a melhoria da qualidade da castanha de caju produzida; a produção de 4,22 milhões de mudas e o plantio de cerca de 2,16 milhões de mudas pelo País; limpeza de 10,5 milhões e podados 1,9 milhões de cajueiros bem como o control de doenças que beneficiou cerca de 6 milhões de cajueiros que se traduziu em 71.500 ton de castanhas de boa qualidade.

A nível espacial, a exceção da província do Tete, a produção do Cajú encontra-se patente em todo país, constituindo destaque o facto das províncias de Nampula e Cabo Delgado absorverem cerca de 2/3 do total da produção nacional.

Relativamente a cadeia de valor do subsector, que inclui actividade desde da produção, distribuição e plantio de mudas, maneio integrado do caju e comercialização de caju, ainda tem uma grande predominância do sector familiar que se reflecte no peso deste em cerca de 95% dos produtores, sendo os restantes 5% da responsabilidade do sector privado (comercial).

Entretanto, o País possui actualmente 17 fabricas que processam cerca de 60 000 ton de castanha, empregando mais de 17.000 trabalhadores. Na campanha 2018/19 a castanha de caju foi transacionada ao preço médio de 43,64 MT/Kg contra 64,26 MT/Kg na campanha 2017/2018, isto é, um decréscimo em 32%. Em termos de volume de exportações globais (castanha e amêndoa) na campanha 2018/19 a receita atingiu USD 70 milhões contra USD 114 milhões da campanha 2017/18, correspondendo a uma redução de 38,6%.

Fonte: INCAJU, Setembro 2019

O comportamento do preço doméstico como das receitas de exportação foi determinado pela conjuntura internacional derivado do aumento da oferta da castanha, paralisação de fábricas de processamento no Vietname e India (principais produtores a par da Costa do Marfim) e elevadas quantidades de stock de matéria prima no mercado internacional.

Igualmente, a situação dos baixos preços, influenciou a retenção da castanha por parte dos produtores nacionais.

A comercialização da castanha de caju também foi constrangida pela omissão de informação por parte de comerciantes, relação das quantidades de castanha adquiridas e o seu destino bem como o fenómeno de exportação ilegal da castanha bruta.

Em relação aos desafios imediatos do subsector consta o alcance de consenso entre os actores da cadeia de valor a nível de questões técnicas para a fixação do preço de referência para compra ao produtor na campanha de comercialização 2019/2020, que salvaguarde o crescimento e sustentabilidade do subssector; e a finalização da proposta de fixação das taxas pela contrapartida dos serviços prestados pelo INCAJU.

De igual forma, constitui desafio a promoção do associativismo a nível dos produtores familiares a semelhança do que ocorre na Costa do Marfim; aumentar o processamento secundário, feito actualmente em pequena escala com vista a elevar a exportação da produção com maior valor acrescentado; criação de capacidade para embalagem e aproveitamento das oportunidades de mercado que advém da exploração da indústria de confeitaria.