A Federação Moçambicana dos Operadores de Madeira (FEDEMOMA) lançou hoje, em Maputo, o seu Plano Estratégico para o decénio 2026-2035, com metas ambiciosas para profissionalizar o sector, industrializar a cadeia de valor e assegurar uma exploração florestal sustentável. O documento foi apresentado numa cerimónia que juntou Governo, CTA, OIT, FAO, Banco Mundial e operadores de todo o país.
Na intervenção de abertura, o Presidente da FEDEMOMA, Jorge Chacate, classificou o momento como “histórico” e afirmou que o plano é o corolário de uma parceria estratégica com a OIT, apoiada pela cooperação sueca. O dirigente lembrou que o sector “só poderá prosperar se estiver alicerçado na legalidade, na organização e no conhecimento”.
Chacate detalhou o percurso até ao plano: revitalização das associações de Manica, Sofala, Niassa e Cabo Delgado, com cinco novas associações em vias de registo; capacitação em legislação florestal; integração da cultura de trabalho digno e segurança ocupacional com especialistas de Genebra e do Brasil; e bases para uma conduta empresarial responsável, com apoio técnico do CEAGRE/UEM.
A grande aposta do plano é a criação de três Centros de Formação Tecnológica nas regiões Sul, Centro e Norte. “Serão o coração da nossa transformação industrial”, disse. O objectivo é capacitar operadores para produzir mobiliário, caixilharias, portas, janelas e outros produtos de alto valor acrescentado para o mercado interno e exportação. “Queremos romper com o ciclo de exportação de matéria-prima bruta. Com a nossa própria matéria-prima, vamos produzir e consumir produtos genuinamente moçambicanos”, sublinhou.
O plano prevê ainda a criação de Delegações Provinciais da FEDEMOMA para apoio directo ao operador no terreno, contratação de especialistas e formação contínua. A finalidade, segundo Chacate, é “lograr uma exploração sustentável”, maximizar receitas, aumentar empregabilidade, incrementar o PIB e melhorar a balança comercial.
Passar de modelo extractivo para industrialização
O Vice-Presidente da CTA, Amâncio Gume, felicitou a FEDEMOMA pela “maturidade institucional” e destacou que o plano está alinhado com as exigências nacionais e internacionais. Para a CTA, o sector florestal deve “evoluir de um modelo predominantemente extractivo para um modelo integrado, orientado para a criação de valor, industrialização e sustentabilidade”.
Gume apontou que Moçambique tem potencial florestal significativo, mas ainda subaproveitado na transformação local e nas cadeias de valor. Defendeu que o plano é uma oportunidade para promover a industrialização, reforçar o conteúdo local, fomentar gestão florestal sustentável, formalizar o sector e atrair investimento privado. Alertou, contudo, para desafios críticos: combate à exploração ilegal, simplificação do licenciamento, acesso a financiamento para PME, infra-estruturas logísticas e energéticas, e capacitação técnica.
“O futuro do sector passa por produzir melhor, transformar localmente, exportar com valor acrescentado e garantir a sustentabilidade dos recursos”, concluiu, reiterando o compromisso da CTA em trabalhar com a FEDEMOMA, Governo e parceiros.
O Director Nacional de Florestas E Fauna Bravia recordou o passado de referência da indústria madeireira nacional. Apresentou alguns avanções incluindo a Política Florestal 2020-2035, nova Lei de Florestas de 2023 e Regulamento de 2024. Destacou o Sistema de Informação Florestal (SIF) e anunciou que ainda este ano será introduzido o sistema digital de rastreio da madeira, integrado no SIF. “Cada árvore abatida legalmente poderá ser rastreada desde a origem até ao destino final. As margens para o contrabando vão reduzir drasticamente”, garantiu.
Assumindo que “o Estado não consegue estar em todo o lado sozinho”, lançou quatro convites à FEDEMOMA: ser guardiã da legalidade, com fiscais ajuramentados e denúncia de infractores; unir-se para vencer a descapitalização, criando entrepostos comerciais e preços de referência; reconectar-se com as comunidades, com comités mistos e projectos alternativos; e reinventar-se através de plantações florestais para fins industriais.